quarta-feira, 21 de novembro de 2012

o mundo que só há de se sentir

Elavai (Arthur Belino)


ela vai
retomar
seu coração
que sempre foi fugaz

caminhar
sentindo o sol
lhe beijar
abençoando a direção

ela vai
pra sentir
se encontrar
reencontrar o amor

ela vai
ela vai

pode ver
o que ficou pra traz
e perdoar

vai viver
o que não pode ter
e se entregar
a um mar de sonhos bons

vão passar
ventos que balancem
sua paz
tirando o cobertor

também vão passar
luzes que jamais sentiu
dançando ao seu redor

vão passar
e tudo passará
pelo amor
com amor

pode ver
o que ficou pra traz
e perdoar

vai viver
o que não pode ver
sem duvidar

girar num mundo
que só há
de se sentir
sem falar
sem falar

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

persistir

encontrei uma flor dentro de ti.
sem querer acertar,
percebi que o perfume do valor se assemelha ao de outra flor,
que está dentro de mim.

te escutei e amei como nunca antes vivi
porque, pela primeira vez,
me vi verdadeiramente em ti.

e o sentido que isso faz me inspira a querer mais e mais,
pois não existe amor que resista a uma flor tão bonita assim.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

jasmim


Jasmim (Arthur Belino)

como meço o tempo que vivo
vivendo sem ligar pro tempo
quando ele corre mais
sinto que estou
a sorrir
por viver

na velocidade dos dias
navegando através das horas
por minutos de um movimento
que
despertou
pra crescer

o que era só um sorriso
hoje vira porta bandeira
para um batalhão de sentidos
que não reconhecem fronteiras
feche os olhos, faça um pedido
deixe vir de sua maneira
não duvide do universo que
escolheu
você
pra sonhar

não existe sonho mais certo
qualquer madrugada é bem vinda
nesse vôo pelo escuro azul do céu
despertar
num jasmim

o que era só um sorriso
hoje vira porta bandeira
para um batalhão de sentidos
que não reconhecem fronteiras
feche os olhos, faça um pedido
deixe vir de sua maneira
não duvide do universo que
escolheu
você
pra sonhar

o que era só um sentido
hoje vira porta bandeira
para um batalhão de sorrisos
que só reconhecem maneiras
em que hajam novos pedidos
descartando qualquer fronteira
acredite no mundo que
escolheu
você 
e você
pra sonhar

segunda-feira, 12 de julho de 2010

o medo como alavanca de consumo


Vai que você consiga me meter medo com esse anúncio. Vai que, às 19h19min, eu comece a pensar em tudo de ruim que possa acontecer comigo. Vai que, às 19h22min, eu comece a acreditar que um Seguro possa me deixar mais seguro. Vai que, no dia seguinte, eu compre esse teu "Seguro". Vai que, um mês depois, ele não consiga aliviar aqueles pensamentos de todo o mal que possa acontecer comigo. Vai que, seis meses depois, eu entre em pânico toda vez que eu tiver que sair de casa, com aqueles pensamentos de tudo de ruim que possa acontecer comigo. Vai que, um ano depois, eu passe a não sair mais de casa.

Vai que, assim, com tanta segurança, a minha vida fique uma merda.

Se isso tudo acontecer, você terá um produto chamado CORAGEM pra me vender?

sábado, 3 de julho de 2010

faltam valores de verdade

Entrevista sensacional do Pedro Cardoso para a apresentadora Leda Nagle, no programa Sem Censura, da TV Brasil. O ator e escritor fala sobre a sua profissão, liberdade, ética, respeito e “bundalização”, entre outros assuntos.

É interessante ver que, no decorrer da entrevista, como um cidadão ferido por tanta falta de valores em suas vida e profissão, Pedro deixa seus sentimentos conduzirem os pontos de vista de forma espontânea.

Graças à única TV pública de larga disponibilidade no país (TV Brasil), ou seja, que não tem seu foco nos lucros dos patrocinadores que encharcam as TVs privadas, existe um programa de entrevistas que não tem pressa em debater assuntos diversos com seus convidados (Programa Sem Censura).

Imaginem se tivéssemos outros meios de informação como esse?

A entrevista está dividida em 4 vídeos de, aproximadamente, 10 minutos cada. Torço para que cada um que chegar até aqui dedique algum tempo para assisti-los.

Parte 1 de 4:


Parte 2 de 4:


Parte 3 de 4:


Parte 4 de 4:

quarta-feira, 23 de junho de 2010

#DiaSemGlobo

Quem vem acompanhando a Copa deve estar por dentro do bafafa que está rolando entre Dunga e Imprensa. Minha visão resumida: ninguém tem sangue de barata pra aguentar, ano após ano, essa cacetada de críticas PESSOAIS, em grande parte das vezes infundadas e preconceituosas, que possuem interesse focado no sensacionalismo. A mídia seria muito mais útil para o desenvolvimento de uma sociedade mais inteligente se, ao invés de notícias que buscam audiência (e, consequentemente, dinheiro), nos entregasse informação de verdade.

O fato é que, na coletiva após o jogo contra a Costa do Marfim, o Dunga pegou um "pra cristo" e vociferou uns palavrões. Não acho a atitude certa, mas entendo o processo de criação da mesma. Provavelmente, a grande maioria de nós (e desses repórteres também), faria o mesmo em algum momento. Enfim, pra mim foi um erro, mas foi humano. Se apontarmos os erros que causaram esse erro final e pedirmos 1 Real pra cada, meu amigo, não da nem pra estimar a bufunfa total.

Logo após a coletiva, no domingo, varando segunda a dentro, foi uma enxurrada de críticas ao técnico. Claramente agravou-se a guerra Imprensa x Dunga, sendo que a batalha Globo x Dunga ganhou armamentos pesados no ataque. Aí começou a injustiça. Se a maior emissora do Brasil quer te crucificar, ainda mais hoje em dia, com tanto meio de informação, tu ta ferrado! Exemplo: lembro especificamente de uma matéria no site Globoesporte.com que tem o título: "Luiz Felipe Scolari critica a relação de Dunga com a imprensa". Essa foi a chamada, a notícia, ou seja, a primeira coisa que vemos antes de ler a matéria. O que você pensa ao ler isso? "Porra, até o Scolari ta criticando o Dunga? A parada dessa vez foi séria..." É aí que começa a manipulação. Ta duvidando? Olha o que o Scolari disse sobre o assunto nessa matéria: "Eu não sei qual é o conflito que existe. Eu também já tive os meus tempos de conflitos. Mas acho que todo mundo poderia ter um pouco mais de aceitação. Quando digo todo mundo é todo mundo: comissão técnica e imprensa - disse."

A matéria está disponível em: http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2010/06/luiz-felipe-scolari-citica-relacao-de-dunga-com-imprensa.html

É, meu camarada... esse mundo ta todo fodido mesmo. E se não existe um pouquinho de senso crítico de quem recebe esse monte de informações diariamente, ou seja, nós, a gente vai ficando do jeitinho que essa minoria superpoderosa quer.

Aí beleza... tranquilo. A mídia pega o seu chapéu de dona da verdade, reclamando da falta de respeito do Dunga com os repórteres, brasileiros, fãs de futebol e etc. E o caminho pra detonar o cara é ooooooooooooooooooo desrespeito! Leia isso aqui (Blog do Editor Chefe de Esportes do Jornal Extra, que é daaaaaaa Globo!): http://extra.globo.com/blogs/futebol/posts/2010/06/23/a-luz-de-patricia-302389.asp

Como podem ver, é a veiculação (com o aceite dele, claro) de uma opinião de uma leitora dizendo que o Dunga ta precisando de sexo. Olha aí. Pronto, achamos a solução do problema com todo respeito do mundo. O que família e amigos do Dunga vão achar disso? Ah, vão ficar felizes a vera!

Ainda bem que toda essa quantidade crescente de meios de informação também ta aí pra ajudar. Tem gente que usa essas ferramentas chamadas "Midias Sociais" (orkut, facebook, twitter, etc) por boas causas. Começou uma campanha para que o jogo da próxima sexta-feira, entre Brasil e Portugal, não seja assistido na Rede Globo. Não acho que essa emissora seja a responsável por todo o sistema cada vez mais podre de informação, mas é uma movimentação da força de opinião crítica. O recado dessa força, na minha opinião, é o maior ponto positivo da campanha. Essa minoria guiada pelos interesses econômicos não pode continuar achando que são mais fortes e podem empurrar qualquer conteúdo alienador. Temos que nos unir por uma mídia mais profunda e agregadora.

Minha posição em aderir nada tem a ver com apoio ao Dunga, Esportes, Futebol ou Copa do Mundo. O objetivo de uma sociedade mais forte, profunda, agregadora e nobre de sentimentos é muito maior do que o Hexa.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

o bem maior (bem vinda)

o que você pensou que seria
quando ria
por outras vias do amor?

ela não te preparou pro que vinha
e você jurou saber,
jurou saber
tudo que fazia.

cercado pelos lados,
em frente foi difícil ver.
não quero me lembrar do tempo
que o medo fez valer
a saudade de mergulhar no mundo.

e essa tristeza deu início a uma alegria.
dessa tristeza nasceu uma nova alegria.

ela encheu o espaço de fantasia,
dentro de casa
a vida agora vive sem cessar.

a escuridão que ela trouxe é bem vinda
sem o teu perdão
o tempo agora corre ao meu favor.

 liberto pelos lados,
em frente já consigo ver!
só quero me lembrar do tempo
que fez aparecer
a vontade de encontrar o meu viver.

e essa tristeza deu início a uma alegria.
dessa tristeza nasceu uma nova alegria
uma tristeza assim enobrece o meu dia-a-dia.


falo do sonho de mergulhar no espaço.
canto o sonho de viver num espaço bem maior.
faço do sonho de mergulhar no espaço
um caminho
que oferece
outro espaço
bem maior,
bem maior.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

beco

muda;
molda;
moda
(de) merda.

transforma;
aliena.
(vem o) fim.

e agora
quem é você?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

ira. me tira! mente. mentira.

Essa maquiagem é uma mentira. Esse cabelo alisado é farsa. Você é uma farsa! Esse perfume e essa exigência de tudo milimetricamente perfeito servem muito bem para te fazer dar voltas e voltas em torno do não conhecimento e da não aceitação de quem você realmente é.

Isso não é você. Aceite.

Nós temos pelos e fedemos. Somos animais mesmo. E o corpo é um meio perfeito para viver e sobreviver. Não para servir de um outdoor para uma propaganda enganosa do que você não é. Todo mundo acorda com bafo e despenteado. Em noites de pouco sono, você é a sua olheira mesmo, e não esse monte de pó artificial que você passou por cima pra tentar escondê-la. Taí, você se esconde. Você não é uma carteira de R$500,00 e nem o atleta de pólo em cima do cavalo, que borda essa sua camisa. Camisa serve pra se vestir, mas ela também agrupa e segrega da forma mais escrota possível. Queria ver você no meio do deserto com todo esse lixo e morrendo de sede pra você saber o que é importante mesmo, meu irmão.

Aí você acha que cresce e bota na cachola que teu peito é pequeno. O que é grande? O que é normal? O que é “bonito”? Claro, aquilo que disseram pra você, né? Aí você paga de R$5.000 a R$10.000, entra na faca e mete dois pedaços de plástico, dentro de você. Um corpo estranho num corpo estranho. Depois, toma uma pancada de remédios pro teu organismo não estranhar o corpo estranho. Os anos vão passando, você vai usando aquele tão sonhado decote, marcando sua presença no meio daqueles que te transformaram. E você ainda achou que foi você quem decidiu. Hahaha... Ilusão! Daqui há mais alguns anos você tem filhos, engorda e entra novamente no shopping branco chamado Hospital pra, dessa vez, tirar partes do teu corpo buscando ter a idade e a forma que você não tem. E tudo é muito urgente. Então, se for possível, aproveite o dia e faça tudo de uma vez. Dê a luz; sai obstetra, entra cirurgião plástico; e já sai metendo a faca em tudo. É bom que você divide a atenção do teu filho com o que sobrou de você.

Essa perfeição te faz um monstrinho. Não adianta levantar essa bandeira porque isso só te causa ansiedade e tensão. Se tu fazes isso contigo é um problema teu, agora, ficar olhando os outros de cima embaixo nessa cobrança silenciosa pra depois ficar de tititi com teus amiguinhos mutantes é desumano e não vai aliviar a cobrança que você se impõe.

Largar esse preconceito banal e tentar ser uma pessoa realmente melhor da muito trabalho e não tem graça nenhuma, nesse curto prazo que você exige pra dar mais uma risada vazia. Se é muito mais fácil aceitar um monte de lixo em forma de informação e adotá-lo como cartilha para a sua vida, porque questionar o que é realmente seu, o que é você de verdade?

Depois fica dizendo que a vida é curta.
É sempre curta pra quem não sai do mesmo lugar.
Se diverte aí, mane! Aproveita pra se divertir.
E continue surpreendendo os outros com suas piadinhas.
E aceite que surpresa pra você será, no máximo, um brinquedo dentro de um pacote de algum biscoito light integral.

Agora, me da licença que eu vou te jogar fora, espelho de merda.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

utopia em sonho

Hoje eu tive um sonho. Nele, a única revolução verdadeira aconteceu: o amor ao próximo e à nossa terra conseguia ser maior do que tudo. Utopia? Certamente!
Gestos de bondade, honestidade, carinho e respeito nunca mais eram vencidos pela arrogância, prepotência, desonestidade e estupidez.

Com isso, várias mudanças ocorreram no dia-a-dia da sociedade:

- Cartões bancários (crédito ou débito) não mais precisavam de senha ou assinatura.
- Ainda sobre assinatura, não existiam mais contratos, procurações e reconhecimentos de firma.
- Policiais, seguranças e companhias de seguros ficaram livres para ações muito mais positivas do que defensivas.
- Não havia mais CPI.
- Os políticos não tinham mais planos de saúde: usavam os hospitais e clínicas públicas. Seus filhos eram matriculados em escolas públicas.
- A existência do órgão de defesa do consumidor não tinha mais sentido.
- Juízes, promotores e advogados trabalhavam em questões muito mais progressistas e as leis já não tinham mais tanta utilidade.
- O tele atendimento das empresas, definitivamente, facilitava a vida de seus clientes em casos de possíveis dúvidas ou problemas.
- Produtos e serviços entregavam exatamente o que prometiam em propaganda e embalagens.
- Negros, gordos e gays viviam em harmonia com aqueles que, antes da revolução do amor, eram considerados pessoas normais.
- A moda era uma força de inclusão, e não mais exclusão social.
- Os árbitros de futebol aposentaram os cartões amarelo e vermelho.
- Torcedores de times “rivais” poderiam ver o jogo juntos, sem distinção de lugar nos estádios.
- Antidepressivos deram seus lugares em prateleiras das farmácias para medicamentos mais leves e menos agressivos, que não causavam dependência.
- Vivemos o fim da vergonha.

É estranho entender que esse mundo é possível de existir, mais está extremamente distante por ser desinteressante a grande maioria das pessoas e, principalmente, daqueles que tem mais força para exercer as mudanças necessárias para que a nossa vida fosse assim.

Nos resta, o que não é menos nobre, a mudança na atitude individual.
Afinal, é dando que se recebe.

“O amor é a única revolução verdadeira.
A única revolução verdadeira é o amor.”

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

2010


será que nesse ano nos sentiremos, verdadeiramente, manobrando nossos destinos?

terça-feira, 29 de setembro de 2009

maria da academia

enquanto poeiras juntam-se no chão
ela varre e sorri.
sua cabeça, longe dali
frequenta um habitual futuro
onde pode encontrar dias mais simples.

quase invisível,
já conhece sua não presença
e acostuma o coração a não atenção.
desentende a relação com o espelho
e o que tentam encontrar,
ao tanto olhar,
a própria imagem refletida.

ao caminhar, voa longe.
liga lugares distintos e,
finalmente,
quase pode abraçar os seus.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

que beleza

(hoje um post diferente)

Há alguns meses atrás bati o carro e tive a oportunidade de passar quase 30 dias andando de ônibus ou a pé mesmo entre as minhas rotas diárias.

Nas principais paradas de ônibus que passava, tinham bancas de jornais. Durante o tempo que ficava a aguardar os ônibus, pude perceber a quantidade de revistas totalmente focadas em beleza, com força para os assuntos "perder peso" e "cabelos". Fiquei impressionado com o tamanho desse mercado e com a bitolação da população para assuntos tão, tão, tão, tão nada.

Indaguei-me sobre alguns pontos específicos:

- Será que os responsáveis pelo conteúdo tem um mínimo de responsabilidade e a real noção da imposição estética que empurram goela abaixo dos leitores? Será que levantam a possibilidade de, oferecendo sempre uma nova "fórmula mágica", estarem alimentando o sofrimento, a insegurança e a cobrança de alguém que, cada vez mais, sente-se "fora dos padrões"? Será que, entendendo a importância de um meio de comunicação para o povo, conseguem dormir em paz veiculando falsas soluções para esse (ser gordo) que é quase um crime hoje em dia (e isso nada tem a ver com saúde... é sempre cobrado como uma questão puramente estética)? Será que atores, atrizes, modelos e etc não se preocupam em ser a imagem disso tudo?

Tirei algumas fotos de capas de revistas:


1) Numa boa, olhem a cor desse chá. Isso pode ser bom pra alguma coisa? Certamente se tomar esse chá (e também não comer mais nada) vai emagrecer rapidinho...
2) Aí você toma esse chá e ainda ganha R$500! Devia ganhar muito mais pela cagada que está fazendo com o corpo.
3) "Meus 7 segredos: como deixei de ser feia e deprê e me tornei poderosa". Já reparou que tem sempre uma quantidade específica de "fórmulas mágicas"? Isso deve dar mais credibilidade a tanta babaquice junta.
4) Sem querer acabei pegando uma parte de outra revista na foto. Poderia ter saído qualquer assunto, mas acho que as estatísticas sobre manchetes explicam. "Gisele Bunchen revela seus segredos de beleza". Vai gastar um dinheiro na revista, vai passar a fazer como a Gisele e vai continuar acordando do mesmo jeito: como é realmente. Isso sim é belo.


1) "Cabelos. Cortes e penteados das famosas. É pra cortar e arrepiar". Essa última frase chega a dar calafrio, não é?
2) "Dieta da idade. -2kg por semana". Se uma pessoa de 70 kg fizer essa dieta por 36 semanas deixa de existir... vai morrer! Não pode ser bom.
2) "Controle já a pressão e emagreça!" Sem sacanagem, é ler uma chamada dessa e a pressão subir rapidamente.
4) "Transformação de leitora" (Maria será Maya). "UAU (?!). Você pode ser a próxima! Faça seu cabelo crescer mais rápido". Tem sempre alguém achando que essa tal natureza é ineficiente, ne? Daqui há uns anos teremos um botão que será só apertar pra crescer cabelo... problema é onde vai ficar o botão.


1) Essa foto é um retrato dessa babaquice toda: 7 chamadas sobre peso ou cabelo!
2) "A fruta que acaba com o inchaço!" hahahaha tá de sacanagem. Na revista da próxima semana vão descobrir que é outra fruta.
3) "Cabelos. 42 soluções para fios armados, secos, alisados e tingidos." E pra fio de telefone? Engraçado que são 42 soluções. Nem 41, nem 43. 42!
4) "Dieta. Farinha de Laranja e Maracujá. -2kg a partir de hoje." Alguém consegue emagrecer comendo farinha, maluco? Deve haver alguma mensagem subliminar com esse lance de -2kg.
5) "Perdi 23kg com a dieta da segunda-feira". Na boa, que porra é essa? De onde surge tanta gente perdendo peso assim? Nego deve pegar esses depoimentos em hospital...
6) "Virei modelo aos 50 anos". hahahahahahahaha essa merece um foooooda-se!
7) "Transforme seu cabelo em casa. 22 segredos para alisar, amaciar..." Nem 21, nem 23. 22! E toma alisamento... daqui há um tempo vai ser um bando de playmobil andando pela cidade... todo mundo igual de cabelo liso.
8) "Turbine a dieta com chá indiano. Chai, a bebida da novela. É uma delícia! Acelera a digestão, aumenta seu pique e melhora a circulação." Ahhhhhh essa é a melhor (ou pior). Nego perdeu a noção da sacanagem. Entra a novela da Índia, faz um sucesso da porra, é todo mundo querendo ser igual Maya. Porque não entrar na onda e arrumar um chazinho sem vergonha e vesti-lo como a solução do mundo? E como se não bastasse, o "Chai" (hahahaha quem deu o nome desse chá?) ainda é uma delícia!

Por essas e outras que vivo a parafrasear Caito Mainier: esse mundo ta todo fodido, cara.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

imoral

queria tanto saber
porque seguro
em minhas mãos um bem que não é meu?

quem me dirá se lá do alto,
no céu,
o mau não seja tão escuro assim?

sei la...
sei la...

da vida tenho o mel e tenho o travo,
no lago dos meus olhos, em cometas,
nos meus beijos pagãos.
trago
no peito o coração dos bravos
boêmios, vagabundos e poetas.


em um lugar de vaidades
e dois lados
sou mais um mau, mais um pecador.
com que moral o bem se veste assim,
e encurta o horizonte?

prefiro um caminho dito imoral e tenho mais de mim,
muito mais de mim...

da vida tenho o mel e tenho o travo,
no lago dos meu olhos, em cometas,
nos meus beijos pagãos.
trago
no peito o coração dos bravos
boêmios, vagabundos e poetas...

transgredindo o não
criando um novo sim...



inspirado no livro "A alma imoral", de Nilton Bonder

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

livre

no gostar
não há de se fechar.
há, sim, de se abrir
para experimentar
novas formas de gostar.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

equilíbrio

São muitos os impulsos humanos que tem suficiente unidade para que, na linguagem corrente, se ache um nome para eles. Palavras como ódio, amor, amizade, cólera, fidelidade, apego, desconfiança, confiança, entre outras, designam estados que indicam uma disposição para comportamentos determinados, de modo não diverso de como o fazem igualmente as expressões cunhadas pela pesquisa científica do comportamento, como agressividade, tendência para hierarquia, territorialidade, etc.

A cada uma dessas designações para estados de “alma” e/ou disposição para certas ações corresponde um sistema real de estímulos no qual, a um primeiro contato, não é necessário estabelecer a proporção do que é geneticamente determinado ou culturalmente adquirido. Podemos admitir que cada um desses impulsos é membro de um sistema que trabalha de forma ordenada e harmoniosamente e, como tal, é indispensável a vida humana.

A tentativa de se classificar ódio, amor, fidelidade, desconfiança, etc., em sentimentos “bons” ou “maus” é nonsense, quando se sabe que eles são componentes de um sistema que funciona como um todo, e é tão tola como se perguntar, por exemplo, se a tiróide é boa ou má, em função de sua importância hormonal no metabolismo do corpo humano.

A atual concepção de que podemos dividir tais noções em boas e más, de que amor, fidelidade e confiança são em si bons, e ódio, infidelidade e desconfiança são em si maus, acontece unicamente porque, geralmente, em nossa sociedade, há falta dos primeiros e excessos dos segundos. Amor demais estraga inúmeras crianças cheias de esperanças.

O equilíbrio é fundamental em tudo, e há de se questionar os estigmas que envolvem as situações, sentimentos, emoções, etc., que possuem pré-conceitos ruins. Há também de parar de se evitar o mau, já que faz toda a diferença encará-lo como complemento ao bom, e não como seu oposto.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

teatro dos vampiros - parte 2

(continuação do post anterior...)

O mundo dos jornalistas é possuidor de conflitos, concorrências, hostilidades. Diz-se sempre, em nome do “credo liberal”, que o monopólio uniformiza e a concorrência diversifica. Nada contra a concorrência, mas, quando ela se exerce entre jornalistas ou jornais que estão sujeitos às mesmas restrições, pesquisas de opinião e anunciantes, ela homogeneiza. Da mesma maneira, nos jornais televisivos ou radiofônicos das emissoras de grande difusão, no melhor dos casos, ou no pior, só a ordem das informações muda. Ocorre também uma espécie de interleitura comprovada: para fazer o jornal televisivo do meio-dia, é preciso ter visto as manchetes do 20 horas da véspera e os jornais da manhã.

A televisão não é muito propícia a expressão do pensamento. Um dos maiores problemas levantados por este meio é a questão das relações entre o pensamento e a velocidade. Pode-se pensar com velocidade? Será que a televisão, ao dar a palavra a pensadores que supostamente pensam em velocidade acelerada, não está condenada a ter e criar apenas fast-thinkers?

Com sua urgência, a televisão produz fast-food cultural, “idéias feitas”, aceitas por todo mundo, banais, convencionais; mas também são idéias que quando as aceitamos, já estão aceitas, fazendo com que não haja problemas na recepção. Para que haja pensamento, o tempo é necessário para que se “fragmente” as idéias.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

teatro dos vampiros - parte 1

Porquê nas condições habituais aceita-se, apesar de tudo, participar de programas de televisão? É uma pergunta muito importante e, no entanto, a maior parte dos pesquisadores, dos cientistas, dos escritores, para não falar dos jornalistas, não faz a si mesma. É necessário que haja essa “interrogação” sobre o que dizer, a quem dizer e para que o fazer. A impressão que essas pessoas passam é que, ao aceitar participar sem se preocupar em saber se poderá dizer alguma coisa, revela-se muito claramente que não se está ali para dizer alguma coisa, mas por outras razões, sobretudo para se fazer ver e ser visto. Foi assim que a televisão se tornou hoje um lugar de exibição narcísica.

Análisando a televisão em si, o acesso a esta tem como contrapartida uma formidável censura, uma perda de autonomia ligada, entre outras coisas, ao fato de que o assunto é imposto, de que as condições da comunicação são impostas e, principalmente, que a limitação do tempo impõe ao discurso tantas restrições que é pouco provável que alguma coisa possa ser dita.

Além disso, há intervenções políticas e censuras econômicas, já que muitas emissoras pertencem a grandes grupos de empresas ou até mesmo não afetariam a reputação de seus patrocinadores, e isso afeta toda a programação quanto aos jornalistas – figuras importantes nesta análise e donos de certa manipulação, até porquê também são manipulados e, muitas vezes, alimentados por suas ambições ou temerosos de um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, não tem consciência disso.

A busca pela notícia, o princípio da seleção é encontrar o sensacional, o espetacular. A televisão convida à dramatização, no duplo sentido: põe em cena, em imagens, um acontecimento e exagera-lhe a importância, a gravidade e o caráter dramático, trágico. As palavras comuns, não se “faz cair o queixo do burguês” e do povo. As notícias de variedades são o alimento predileto da imprensa sensacionalista; o sangue e sexo, o drama e o crime sempre fizeram vender e alçam o índice de audiência. É importante citar também os “fatos-ônibus”, que não devem chocar ninguém, não envolvem disputa, não dividem, formam consenso, interessam a todo mundo mas, de certo modo, não tocam em nada de importante.

Continua...

sexta-feira, 15 de maio de 2009

valor

Engana-se sobre o trabalho quem vê nele apenas um fim em si ou mesmo um valor moral. É o que provam as férias e o salário. Trabalhar? É bem preciso. Mas quem o faria de graça? Quem não prefere o repouso, o lazer, a liberdade? O trabalho, considerado em si mesmo, não vale nada. Por isso é pago. Ele desgasta. Por isso pede repouso. Não é um valor (moral); por isso tem um valor (mercantil).

Um valor é o que vale por si só. Como o amor, a generosidade, a justiça, a liberdade... Para amar, quanto você cobra? Já não seria amor, seria prostituição. Para ser generoso, justo, livre, precisam lhe pagar? Já não seria generosidade, mas egoísmo, já não seria justiça, mas comércio, já não seria liberdade, mas servidão. Para trabalhar? Você cobra alguma coisa e, evidentemente, tem razão; aliás, quase sempre acha insuficiente o que lhe dão (sim, não é um dom, é uma troca), o que está registrado no seu contracheque, recibo ou nota de serviço. Há um mercado de trabalho, submetido, como qualquer mercado, à lei da oferta e da procura. Como o trabalho poderia ser um valor moral se está a venda?

Às vezes se trabalha gratuitamente, mas nem o voluntário escapa disso. Se trabalha é por outra coisa que o trabalho (uma causa que crê justa, amizades que faz, um divertimento que encontra...). Mesmo o escravo não escapa disso. Se trabalha é para escapar da morte: trabalha para viver, como todo mundo (e todo o mundo), e seriamos loucos se vivessemos para trabalhar.

Mas, se passamos a vida nos dedicando muito mais ao trabalho do que a qualquer outra coisa, vivemos em função de que?

É uma troca injusta e, na minha opinião, está fadada ao fracasso.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

com_torno

olha a estrela mais distante
tentando brilhar
sem ofuscar a direção
do que pode ver.

olha em frente, pro espelho
e tenta encontrar
um mapa
desenhado em teu peito,
refletindo você...

...e todo mistério por traz
de um novo lugar,
com a virtude de enxergar
bem mais que uma chance.
anda e tenta encontrar
o sumo de uma dor
sem esquecer do amor
que ganhou pra viver.


fecha os olhos pra ser
o que você quiser
sem revés,
tribunais ou perdão.

abra os olhos e sinta
que o que fizeram com você
foi permitido por você!

um hemisfério distante
fadado a aceitar
o medo da própria voz.
(dissonante)
determinado a um preço
que só faz aumentar
a ilusão do seu coração.

deixa o futuro pra depois,
o amanhã não da pra ver
e o chão vai chegando mais perto
das estrelas...

...e de todo mistério por traz
de um novo lugar,
com a virtude de enxergar
um mar de outras chances.
anda e tenta encontrar
o sumo de uma dor
sem esquecer do amor
que ganhou pra viver,
sem esquecer do amor
que doou pra viver.